quinta-feira, 3 de março de 2011

Do que se é

Se ainda sou um girassol noturno? Pergunta difícil. Para a grandeza da noite, eu, tão metida a altiva, fiquei pequena. A pequena que sempre fui e nunca vi. São tantos espelhos mentirosos que a gente encontra para pendurar na penteadeira. Ou mentirosos somos nós? Se o que fui era tão noite e grande, pequena eu quis ser dia. Sol a queimar a antiga pele até descascar. Azul vistoso para abraçar minha nova criança. Com minha ametista pendurada no pescoço, eu desejei deixar para trás minhas máscaras e minhas já conhecidas fomes de queda. Não compreendi que aquele ser, que também buscava o mesmo azul, cortava junto a mim suas amarras, na mesma sincronia de sempre. Não sabíamos que haveria um trajeto que apenas solitariamente poderíamos passar. Achei que era o fim. Ele enfrentou a solidão. Eu não. Agarrei-me em outra mão pelo velho medo de ficar sozinha. Mão áspera, cheia do mesmo espinho que eu cultuava para minhas autosabotagens. Ferida, entrei para dentro da gaiola que a mão queria carregar. Minha nova pele logo inflamou, o olhar baixou e eu quis anoitecer girassol. Quase acreditei que de nada servira tantos passos, tanto amanhecer e anoitecer. Ainda bem que foi "quase". E esse texto termina assim, como se ainda tivesse muito a dizer. Sem desfecho porque este é mais um início.

Um comentário:

Délia disse...

Sim belinha, estamos sempre amanhecendo e anoitecendo em inícios, as dúvidas no caminho se renovam constantemente, mas somos isso mesmo.
beijos minha amiga linda